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Só para começar eu não luto apenas para uma melhor assistência à saúde mental no mundo, mas eu declaro claramente que eu luto pela paz no mundo, digo não para a violência. Eu sou um pacificador acima de tudo. Doença mental existe devido às diferenças existentes no mundo social. Existem doenças mentais devido à falta de informação. E, claro, doenças mentais afligem mais os pobres. Um mundo com tantas guerras, sem dúvida, está doente. E a paz no mundo faria mais bem do que qualquer remédio químico. E eu deixo a pergunta: DOENÇA MENTAL É HEREDITÁRIA?
Vou deixar-lhes um artigo sobre a hereditariedade das doenças mentais e extraída de um livro médico. E este texto abaixo mostrará claramente por que a doença mental não pode ser hereditária. Informe-se!
Insanidade é o termo legal para o que está agora mais apropriadamente denominado como doença mental, neuroses e psicoses. É verdade que ainda está muito obscuro e desconhecido a origem da doença mental. Mas é ignorante e superticioso acreditar que isso está ligado a hereditariedade quando sabe-se muito mais claramente que o que acontece com uma criança nos primeiros anos da sua vida emocional define o padrão de doença mental que mais tarde poderá surgir. Um importante psiquiatra, Dr. Júlio H. Masserman, declara:
"Enquanto pode haver uma tendência para herdar deficiência mental ou mesmo epilepsia talvez, não há provas concretas para fatores hereditários em aberrações comportamentais que não dependem de funções orgânicas ou neurológicas. Pelo contrário, estudos controlados da genética do ambiente indicam que os pais influenciam seus filhos nos padrões de comportamento menos por genes e mais pela natureza do cuidado dos pais, preceito e exemplo. " Além disso a doença mental é tão comum na sociedade moderna americana que é quase impossível encontrar qualquer árvore familiar completamente livre delas.
Family Medical Encyclopedia by Justus J. Schifferes
É um texto bem antigo, traduzido do inglês. Mas que se mantém ainda hoje. É necessário dizer mais alguma coisa?
VEJA TAMBÉM: PACIENTE PSIQUIÁTRICO e NOVO TRATAMENTO MENTAL.
Hoje no grupo do CAPs Rubens Corrêa um rapaz, desesperado, contava suas alucinações auditivas (o rapaz ouve vozes). Ele contava que as vozes o perseguiam até na igreja. Enquanto ele ouvia o pregador, as vozes o chamavam, o perturbando.
Ele tentava ligar as vozes à coisas espirituais. Dizia que eram espíritos. A assistente social, coordenadora do grupo terapêutico buscava convencer-lo de que aquilo era coisa psicológica, e não espiritual. Isso me fez me lembrar de minhas próprias alucinações. O que eu tento sempre explicar para um profissional de saúde mental é que para a pessoa é indiferente saber se é psicológico, pois a coisa é tão real que a pessoa poderia jurar que é de verdade.
E quando os profissionais de saúde mental dizem que isso é conseqüência de algo que a pessoa vivenciou eu sou obrigado a discordar, pois tenho alucinações desde que me lembro, desde pequeno. E se é por algo que eu vivenciei, esse "algo" deve ter acontecido quando eu ainda estava na barriga de minha mãe.
Eu argumentei com o rapaz dizendo que ele não deve tentar lutar contra a alucinação, pois mesmo se for algo espiritual, é algo de outro mundo. É melhor ignorar essas coisas e interagir com GENTE DE VERDADE. Eu quis dizer, é melhor deixar as alucinações falando sozinhas.
Eu expliquei para ele que eu durmo de luz acesa, pois desde criança que eu sou atacado por alucinações quando estou no escuro. Daí tive a idéia de dormir de luz acesa, pois percebi que as alucinações surgiam somente no escuro. Assim meu problema foi resolvido. O problema é que quando eu durmo no mesmo quarto com outra pessoa eu tenho que explicar que eu tenho medo de escuro, e tenho alucinações quando apagam a luz. É meio embaraçoso explicar isso para as pessoas, mas assim ao menos eu fico seguro e não durmo mal por causa de alucinações. NOTA: NÃO SÃO PESADELOS. AS ALUCINAÇÕES TEM FORMA APARENTEMENTE REAL E SURGEM QUANDO A PESSOA ESTÁ COM CERTEZA EM ESTADO ALERTA.
Portanto, se esse rapaz falar com mais pessoas as alucinações não poderão falar com ele. Não terão ocasião. A solução para ele é não ficar só em casa, mas arrumar alguém com quem falar.
Eu acabo de atualizar a história de minha loucura, OS CASARÕES. Agora eu adiciono capítulos de minha última internação. Mas em meus blogs eu sempre conto um pouco de minha história buscando explicar como surge a doença mental, como surge uma doença mental.
Eu sempre falo que uma família com grandes desentendimentos entre seus membros é a principal causa de doenças mentais. E principalmente uma família muito desinformada em assuntos gerais, como sexo, por exemplo. Em famílias assim existem repressões sexuais que geram confusões mentais. E minha família é uma dessas famílias complicadas.
E infelizmente minha família tem um histórico horroroso. E eu não estou falando do histórico de doença mental. Estou falando do histórico de abusos sexuais. Isso muito me entristece, mas eu não culpo os membros de minha família que cometeram abusos, pois acho que tais abusos são um vício difícil de controlar, uma doença.
E como acontece essa doença pavorosa? Simples e terrível. O pai abusa do filho. O filho cresce e tem um filho, mas as lembranças do abuso ficam em sua mente e ele acaba abusando do próprio filho, e esse círculo vicioso prossegue sem ter fim, até que os abusadores sejam submetidos a tratamento e o círculo acabe.
E minha batalha é para conseguir que todos os meus familiares envolvidos em abusos busquem tratamento. Que busquem se conscientizar que assim é melhor para todos. E infelizmente não são poucos meus familiares envolvidos em tais atos...
MAS ISSO PRECISA PARAR.
Portanto eu peço ajuda de todos. Se você é um familiar meu que se envolveu em abusos sexuais, por mais leve e inofensivo que possa parecer, por favor, não tenha vergonha e procure ajuda psicológica. Você tem esse direito. E isso é uma doença, portanto você merece respeito em sua busca por tratamento. Meu nome é Ezequiel de A.C., portanto se você conhece alguém de minha família conscientize tal pessoa da necessidade de buscar tratamento, caso tenha se envolvido em algum caso de abuso sexual. Por favor, observe que esse é um pedido sério e que pode evitar sofrimentos futuros.
No Seminário Sobre Direitos de Pessoas Com Transtorno Mental eu chamei a atenção para uma maior divulgação da lei Paulo Delgado, pois muitos funcionários e técnicos do CAPs sequer sabem que tal lei existe, então como iriam cumprí-la?
Eu cobrei também uma maior supervisão da Secretaria Municipal de Saúde, para garantir que as leis sejam cumpridas nos CAPs e Institutos de Saúde Mental em geral. De início parece que a coisa surtiu certo efeito. Pois os responsáveis pela saúde mental prometeram tomar medidas e no CAPs Rubens Corrêa já está programado uma Assembléia com o pessoal da supervisão da SMS.
Daí dá para chamar atenção para uma outra preocupação minha: que não nos deixem sem técnicos de saúde mental. É que técnicos têm saído do CAPs Rubens Corrêa sem que arrumem antes um substituto para tal técnico. E nisso quem sai perdendo é o usuário de saúde mental. E também seria legal valorizar mais esses profissionais. Em vez de dispensar-los que tal fornecer cursos e capacitações para prepará-los melhor? Todo mundo sairia ganhando.
Nesse Seminário Sobre Direitos Pessoas com Transtorno mental eu estive em um grupo de trabalho sobre criação de novas leis para pessoas com transtorno mental. E eu reclamei que se estava falando demais de leis para facilitar curatela e passe livre e pouco sobre reinserção social.
Eu disse que está na hora de se criar um programa para reinserir as pessoas no mundo do trabalho, na vida. Que tal "Programa de Volta para a Vida"? Já que criaram o "Programa de Volta Para Casa".
É hora de reinserir as pessoas no mundo do trabalho em vez de curatelar. E aqueles que realmente foram impossibilitados de trabalhar deviam ser aposentados em vez de curatelados. Pois a curatela praticamente tira os direitos individuais da pessoa, passando-os ao curador.
E VEJA TAMBÉM PACIENTE PSIQUIATRICO!!!
Antes de mais nada quero chamar a atenção das pessoas para mais uma falha grave das avaliações da psicologia. Aquele caso de São Paulo, em que psicólogos mandaram os meninos Ígor e João Vítor para casa quando os meninos imploravam dizendo que os pais batiam neles. A avaliação dos psicólogos disse que os garotos estavam de pirraça. E mandaram os garotos para casa e o pai e a madastra esquartejaram os dois meninos. Nada contra os psicólogos. Só que as avaliações da psicologia não tem base científica e isso é perigoso. E por isso sempre é falha, e muitas vezes levam inocentes ao sofrimento. VEJA NA FOLHA ONLINE e Veja, também NO GLOBO ONLINE.
Bem, estamos continuando o tema do blog PACIENTE PSIQUIATRICO, ou seja, o cumprimento das leis na saúde mental. Quero colocar que a lei Paulo Delgado é boa. O problema é que não estão cumprindo. Por exemplo, no Art. 2º dessa lei 10216 diz claramente que o paciente e seus familiares devem ser formalmente informados sobre uma série de direitos. Eu já passei por vários médicos e nenhum nunca falou sobre a lei Paulo Delgado. Nenhum profissional de saúde fala sobre os direitos que a lei diz que eles deveriam ENUMERAR. Clique e veja a lei por conta própria. De qualquer maneira eu coloquei a cópia do artigo em questão abaixo, ok?
Art. 2º
Nos atendimentos em saúde mental, de qualquer natureza, a pessoa e seus familiares ou responsáveis serão formalmente cientificados dos direitos enumerados no parágrafo único deste artigo.
Parágrafo único - São direitos da pessoa portadora de transtorno mental:
I - ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas necessidades;
II - ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade;
III - ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração;
IV - ter garantia de sigilo nas informações prestadas;
V - ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a necessidade ou não de sua hospitalização involuntária;
VI - ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis;
VII - receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento;
VIII - ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis;
IX - ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental.
Bem, vou parar por aqui, se não eu não durmo hoje. E amanhã tem trabalho duro o dia todo...